que as pessoas costumam me fazer, quando sabem que o Jó é de Joinville e que isso implica em 1427 km de distância, é a seguinte:
- E quando se casarem você vai morar aqui (Vitória) ou lá?
- Em Joinville.
- Nossa!!!!!!! Você vai ter coragem de ir embora??????? Morar tão longe???
Concordo que mudar nunca é o melhor programa para um fim de semana, mas vamos combinar que, depois de 29 (SIM!) mudanças, a coisa se torna tão natural quanto mudar um móvel de lugar.
Já mudei de andar, de casa, de apt, de rua, de bairro, de cidade, de estado, de país, de continente. Confesso que eu até criei gosto pela coisa, afinal, sempre tem uma novidade, você sempre aprende coisas novas, conhece pessoas novas, pessoas diferentes, culturas diferentes, idiomas, estilos...
Recomeçar é palavra fixa no meu vocabulário e já o fiz diversas vezes em diversas situaçãoes e circunstâncias. Faz parte do meu show.
De fato a mudança mais drástica que eu fiz foi ATL - Vitória. Acho que eu fiquei mais chocada na volta do que na ida. Na ida, eu tinha apenas 12 anos e encarei como uma simples viagem pros Estados Unidos. Passou tão rápido, me adaptei tão bem e por mais que as saudades de 'casa' (pra mim a definição da posição geográfica da mesma sempre foi duvidosa) apertassem, me adequei bem.
Já na volta eu estava bem ansiosa pra voltar, tinha grandes expectativas. Na verdade, eu tinha aquela idéia de que estaria voltando pra 'casa'. Tolinha (tsc tsc tsc). Descobri que a frase 'home, is where the heart is' (lar é onde está o coração) é mais verdadeira do que nunca. Eu realmente imaginei que seria diferente, que as pessoas eram diferente, que tudo (mesmo) era diferente. E não é. Acho que carreguei aquela imagem doce de infância do lugar aonde nasci e passei parte da infância, aonde passei ótimas férias, aonde tinha 'aquele pessoal' assim assim assado...
Mas a gente cresce e passa a enxergar a vida com outros olhos. Deixa de ser igênua em algumas coisas, ou pelo menos deveríamos...
Um ponto negativo de tantas mudanças é o desapego, a dificuldade em se criar raízes. Eu me apego e desapego muito fácil, tive que aprender a ser assim.
Nos Estados Unidos principalmente, as pessoas não tem tempo definido de estadia. Um dia estão ali, no outro já se foram, algumas voltam, outras se perdem. Por isso eu acho que tenho facilidade de fazer amizades, mas não sofro muito quando tomam rumos diferentes. Aprendi o quanto é importante valorizar quem está próximo, pois, quando menos se espera, elas partiram.
Algumas pessoas ainda conseguem manter contato por um tempo, outras não, outras aperecem às vezes, e outras impressionantemente estão mais próximas do que muitas que estão ao lado (fisícamente).
Isso eu também aprendi a filtrar e separar. Não é todo mundo que se deve dar acesso á isso ou àquilo na vida 'particular', porque muitas pessoas simplesmente não se importam com você. Inúmeras estão ao seu lado, mas a sensação é que elas nem existem. Estão tão sucumbidas em si que você pode cair dura e morta e elas só vão reparar quando começar a feder. Algumas vão se afastar porque preferem não sentir o cheiro à olhar para o outro lado.
Seja presente na vida das pessoas, ame de verdade, se importe de verdade, sirva, seja alguém que ouve mais do que fala dos seus problemas, e prepare-se para guardar os bons momentos na memória.
Conheci muitas e muitas pessoas queridas, companheiras, que eu amo, mas que hoje estão distantes (geograficamente). Espero um dia poder encontrar essas pessoas, outras eu sei que não será possível... assim é a vida. :)
Mas voltando ao assunto principal, mudar pra mim não será problema. Desde o primeiro dia que fui à Joinville eu adorei a cidade, fui muito bem recebida pelos irmãos e pela igreja, pela família do Jó...
Daí tem gente que diz.. 'mas sulista é metido, fechado, frio e se acha superior'. Eu poderia classificar os capixabas de maneira tão pejorativa ou até pior, mas acredito que cada qual é à sua maneira e sempre existem 'pessoas' e 'pessoas'.
Americanos são arrogantes, se acham a nata do mundo, são fechados e ignorantes. Não morri. Conheci pessoas maravilhosas que provaram todos esses esteriótipos contrários. Portanto, esses adjetivos não me assustam.
Além do mais, Joinville é super organizada, limpa, o índice de crimes dá gargalhadas comparado à Vila Velha, é próximo à praia, tem inverno (passei a odiar o clima de sol 355 dias por ano), e acima de tudo... é lá que se encontra a pessoa que eu amo e que eu escolhi para passar meus dias, para juntos, constituirmos uma família. Isso é o que importa. O local é mísero detalhe.
Certamente sentirei saudades da minha família querida, meus avós, tio, tias... e é claro, minha mãe e irmã. Lá em casa é assim, formamos o Trio Maravilha e enquanto vivermos pela misericórdia do Senhor, superamos qualquer coisa juntas. De fato um pedaço do meu coração fica com elas, eternamente, mas elas também me incentivam a seguir em frente e começar uma nova etapa.
Sem falar que eu faço 'A' campanha por uma mudança né....
Também sentirei saudades...
das pessoas amadas que levarei pra sempre comigo; (que coisa mais EMO!!)
da próximidade com a praia;
das aulas na UVV;
da moqueca capixaba;
do clima diferente quando chega o verão;
da casa da vó, dos natais na vó;
do pôr-do-sol na 3a ponte;
do cajá;
da taioba;
do coentro;
da água de côco;
do picolé da Ajellson (O MELHOR!);
do nosso quiosque na praia da costa;
do terminal de Vila Velha (mentira);
do transcol lotado (mentira).
enfim, mudar é preciso e eu estou contando os minutos. Aos mui preocupados, sobreviverei.
Adoro mudar. Tudo.
Faz parte do meu show.